Opressão? O teatro dá um jeito

Ao pensar as artes cênicas como instrumento de transformação social, o Tenda Jovem investiu no conceito do Teatro do Oprimido. Criado por Augusto Boal, o TO surge como uma proposta de privilegiar a problemática do cotidiano das pessoas, gerando debates entre atores e plateia, o que permite uma integração ampla entre a comunidade, que abraça a busca de soluções.
Os jovens que participam das oficinas saem das aulas entendendo melhor o mundo em que vivem e com uma vontade maior: fazer teatro brincando, mas reciclando porque o método utiliza desse recurso, o de criar e recriar com o “lixo limpo”.
Um dos oficineiros do TO, Eduardo Rosário conta que o teatro está na essência do ser humano porque todo mundo atua todos os dias. “O homem é o único animal capaz de contemplar a si mesmo fazendo algo, e ter a noção disso. Problematizando as suas questões, há uma possibilidade muito maior de as pessoas se transformarem”.
Um dos papéis do Pontão é justamente este: o de contribuir de alguma forma para mudar a realidade atual em prol das atitudes dignas e da integração social, já que os exercícios proporcionam este modelo: o “expect-ator” se transforma no oprimido e tenta buscar uma solução para o problema, o que recebe o nome de teatro-fórum. O ator, preparado para isso, é quem argumenta e possibilita o diálogo entre os participantes.

Na voz dos jovens

 

O objetivo do Tenda Jovem é despertar um pensamento crítico: não basta apenas consumir a arte e a vida, é preciso se posicionar de maneira efetiva para a conquista de uma verdadeira transformação da sociedade. “O TO não vai criar um conto de fadas, uma história de faz-de-conta. A proposta é compartilhar nossas próprias vivências enquanto oprimidos que somos. Presenciamos muitas atitudes preconceituosas, embasadas em modelos elitistas que não aceitam nossas escolhas, nossa individualidade, nossa forma própria de expressar e pensar”, comenta o multiplicador Gabriel Gomes Cardoso, 22 anos.
A aluna do ProJovem, Rosângela de Moraes, 16 anos, inscrita também no Programa Renda Cidadã, é uma dos 35 alunos do Teatro do Oprimido. Todas as quartas-feiras Rosângela se desloca de seu bairro Recanto do Sol em direção à Escola de Teatro, localizada no centro da Cidade, no ímpeto de expressar e comunicar os seus sentimentos através das aulas. “A oficina me ajuda a mostrar minha criatividade, a demonstrar aquilo que sei. Numa equipe, temos a liberdade de acrescentar o saber de cada um, assim também acontece na construção da cena”, diz Rosângela.
Outro grupo que frequenta as oficinas do TO são os jovens do Programas Ambientais Ecológicos e Sociais (PAES). Segundo o presidente Marco Antônio de Oliveira, o Instituto PAES tem a filosofia de levar à conscientização ambiental através do protagonismo juvenil. Com isso, as oficinas têm o objetivo de aprimorar cenas que despertem a consciência em relação ao consumo, ao desperdício, à preservação da água, energia, alimentação. “Nós produzimos muito lixo e é possível produzi-lo sem agredirmos a natureza. Através do teatro atingimos as pessoas, chamamos a atenção. O teatro é uma ferramenta de conscientização,” diz Marco Antônio. O Teatro do Oprimido do Tenda Jovem expande essas possibilidades e acredita que, com determinação e desejo, a realidade de vários jovens possa mudar.