Hip-Hop: a onda quente

A realidade da periferia brasileira não é diferente da realidade vivida nos guetos dos Estados Unidos, país que, ao longo de seu processo histórico, viveu momentos de euforia e tensão com os grupos étnicos situados na maioria das vezes em guetos politizados. O Brasil desenha também sua história com manifestações racistas e movimentos de resistência dos discriminados, como os negros, os índios, dentre tantas outras raças...
Em Anápolis especificamente, a realidade não é diferente do resto do País. As periferias retratam seus pro-
blemas, a miséria, a criminalidade, mas apontam também soluções. Para tentar driblar a crise instalada nestes entornos urbanos, além de frentes sociais, movimentos culturais são criados, como o hip-hop no bairro Filostro Machado, situado a leste da Cidade.
No Filostro, o movimento também nasceu impulsionado pela vontade de transformar uma ordem estabelecida: a ordem da elite, do poder centralizado, da cultura mascarada. O Fúria Break é exemplo inconteste dessa resistência. São, em sua maioria, meninos pobres que se uniram em busca de uma consciência social.
Maykin, Iguin, Cassius, Joãozim, Luís Carlos, Suel, Samuel, Nael, Daniel, Danilo, Jefferson, Laranjinha, jovens de 14 a 25 anos que se uniram, há um ano, para protestar contra a violência, a miséria e o comodismo.

Maykin, o líder do Fúria Break, comenta que há muito preconceito ainda com o hip-hop, mas mesmo assim, a turma continua empenhada em desenvol-
ver a cultura em seu bairro e, com isso, buscar solucionar os problemas dos jovens em condição de vulnerabilidade. “As pessoas dizem que o hip-hop é coisa de drogado, malandro. Nós sabemos o que queremos. Nosso lema é manter a ordem e buscar a paz. Algumas famílias de integrantes do grupo se preocupam e não entendem bem o que queremos dizer”.
A cultura hip-hop se preocupa justamente com isso: canalizar a violência em que as pessoas vivem submersas, frequentar festas e dançar break, competir com passos de dança e não mais com armas. Essa foi a proposta de Afrika Bambaataa, considerado o padrinho dessa cultura, idealizador da junção dos elementos que a compõem, como o break (dança), que é o principal trabalho desenvolvido pelo Fúria, o graffiti (desenhos e letras pintados nos muros e paredes), Dj (base eletrônica) e o Mc (mestre de cerimônia e cantor).