Capoeira Angola mantém tradição

 

A capoeira angola surge como uma prática dos escravos no Brasil, sendo assim uma tradição de origem africana. Representa diversos elementos do ser humano, principalmente os sentimentos que determinam o modo cultural com que cada grupo, etnia e civilização vive, como a vaidade, a inveja, o ódio, a sagacidade, a maldade, o amor e suas habilidades específicas.
Ao determinar as diretrizes do Ponto de Cultura Tenda Jovem, a capoeira angola desempenhou papel importante no contexto das oficinas, levando em consideração que cada cultura e, principalmente, as culturas que deram origem ao povo brasileiro devem ser preservadas historicamente e contextualizadas nas mais diversas fontes de expressão de nossas comunidades.
Os momentos em que as rodas são realizadas nos bairros visitados são únicos. Berimbaus, atabaques, agogôs, reco-recos, caxixis, dobrões ressoam em uníssono à cantoria, aos passos, gingados e trejeitos dos capoeiristas envolvidos, além de invadirem a percepção dos alunos das oficinas, crianças, adolescentes, e curiosos: professores, coordenadores, diretores e servidores gerais das instituições percorridas.

Berimbau, atabaque, agogô, reco-reco, Caxixi edobrões

Um dos oficineiros de Capoeira Angola do Pontão, José Farias, o Palito, que também é artesão na lide com a prata e o bronze, trompetista e confeccionador de instrumentos musicais, comenta que a capoeira ainda é muita discriminada no Brasil. “O capoeirista era uma figura livre. Claro, havia uma política de classes. Muitos recebiam dinheiro de políticos para sair quebrando tudo, assim como acontece em qualquer grupo, classe ou categoria, mas outros tantos se prestavam à luta pela sobrevivência e pela dignidade”. Palito explica ainda que depois que Getúlio Vargas legalizou a capoeira como esporte, na modalidade “Luta Regional Baiana” as coisas mudaram e a resistência veio diminuindo ao longo dos anos.
Na capoeira é assim: alguns cânticos podem ser entoados em dialetos africanos, podendo fazer referência ao mestre ou a algum acontecimento cotidiano. É pelo cântico também que se pode determinar o jogo que vai acontecer; são cantos de domínio público, como “Dona Maria do Camboatá”, “Marinheiro”, “A Canoa Virou”, dentre outros.
O Tenda Jovem procura educar através desta arte, que há muito vem ganhando espaço nas comunidades. A preocupação é estimular a convivência na sociedade, despertar no aprendiz o desejo de se comportar como cidadão à procura de segurança, além do inte-
resse de preservar a cultura do negro e o equilíbrio mental do dia-a-dia.